Retirei do multiply da Bianca Gama; eu simplesmente amei esse texto! Bem esclarecedor!
A bailarina Shaide Halim (http://shaide.multiply.com/) possui um grupo de debates do yahoogrupos, o qual deu origem ao artigo a seguir, publicado recentemente em uma comunidade da rede orkut. Vamos pensar um pouco sobre essa reflexão?
Primeiro vamos diferenciar folclore de "afolcloração" e separar as possibilidades de criação em uma e outra:
1) Folclore: Conjunto das tradições, conhecimentos ou crenças populares expressas em provérbios, contos ou canções. (tá no Seu Aurélio, hein? rsrsrssr)
Ou seja, uma dança folclórica é realizada dentro de uma comunidade, faz parte da região, é de conhecimento popular.
A dança que conhecemos como Melleah Laf, a Dança do Jarro, a Dança das Flores como a realizamos na dança do ventre não fazem parte dessas tradições populares, não são dançadas pelos povos orientais. Diferente do Tahtib, do Arjã (ou alarj), da Hagalla, da Siwa, do Khaleege, da Naisha, do Dabke, que são conhecidas, executadas e foram criadas pelos povos orientais.
Ainda poderia falar da Guedra e do Zaar, mas essas são danças mais específicas e, embora possam ser consideradas folclóricas por fazerem parte das tradições e crenças populares, elas tem um cunho religioso/ritualístico/espiritual que as coloca em um estágio diferenciado - o que seria melhor debatido separadamente.
Como "criar" ao dançar uma dança folclórica? Simples: conhecendo o repertório de movimentos, varia-se no uso dos passos, a música etc. Não dá pra fugir muito do "padrão" para não descaracterizar a dança.No caso da dança "afolclorada", essa é 100% inspiração. Por isso, não há mal nenhum em adicionar elementos novos a ela, desde que, claro, esses elementos remetam à cultura em que esta se "insere".
No caso da Meleah Laf, a dança é uma representação do estilo das Bint El Baladi, que vai desde o modo de se vestir, aos trejeitos dessas mulheres. Portanto, se uma bailarina representando essa dança se aproximar do público, fumar arguille, fazer uma gracinha com alguém, cantar, mascar goma, entrar de sapato e tira-lo no meio da dança de forma despojada, nada disso pode ser considerado errado. Agora, se ela acender um cigarro, atender o celular ou se abanar com um leque espanhol, já podemos dizer que fugiu ao contexto, não é mesmo? rsrsrs É tudo uma questão de fazer uma boa observação dos costumes regionais e adapta-los à dança, com bom senso e estudo!
A Dança do Jarro é representada de várias formas. Já vi danças com jarro muito alegres: mulheres em grupo representando, com irreverência, uma brincadeira entre mulheres na beira do rio...umas "jogam água" nas outras, fofocam, carregam seus jarros na cabeça enquanto passeiam. Já vi a Dança com Jarro totalmente ao contrário: representando essas mulheres em sua rotina de buscar água no rio de maneira mais sofrida, com uma música mais densa, movimentos mais sinuosos. Já vi Dança do Jarro sensual, onde a dançarina representava um banho no rio e o jarro servia para recolher a agua, jogar pelo corpo...representações diferentes. Qual a certa? Qual a errada? Não temos como definir isso. Eu acho que todas as formas são válidas.
A Dança das Flores tem uma peculiaridade. Reza a lenda que ela é uma representação das mulheres falahin, camponesas egípcias, que enquanto colhem as flores nas fazendas, cantam e dançam para passar o tempo. Isso é uma situação cotidiana que nós podemos representar por meio da dança. Mas normalmente na dança do ventre essa dança é realizada de outra maneira, com as bailarinas dançando com os cestos e depois distribuindo as flores ao público. Essa representação vem de uma outra dança, essa sim folclórica, que é a Dança das Flores de Janadryia, cidade na Arábia Saudita. Em Janadryia, eventos importantes eram precedidos de uma apresentação de dança, onde as dançarinas passeavam pelo público distribuindo flores, frutas e incensos aos presentes. Algo como a Hula Havaiana, uma dança de boas vindas, para trazer prosperidade e bons fluidos ao evento em questão.
A dança das colheres é uma dança REALMENTE folclórica turca. No Egito existe a Bambuteya (também folclórica). A diferença entre as duas é que a dança turca é realizada por homens ou mulheres, com colheres de madeira, que são tocadas quase como castanholas (duas colheres em cada mão). A Bambuteya é realizada apenas por homens, com colheres de metal, e são usadas somente 2 colheres, compartilhadas por ambas as mãos, onde as colheres são batidas também no corpo para tirar a sonoridade do "instrumento". Existe ainda uma dança das colheres realizada na África do Sul, dançada apenas por mulheres. Não sei definir ao certo se essa é uma dança folclórica, se há uma história por trás dessa dança ou se, um belo dia, uma mulher saiu da cozinha "batucando" suas colheres e a partir daí as outras a imitaram...rsrsrs Não há uma musica padrão, passos marcados, mas esse é um costume na região: nas festas, as mulheres pegam suas colheres e cantam e dançam enquanto acompanham as músicas, tocadas pelos homens.
Algumas coisas são muitos difíceis de definir, de rotular, padronizar...pq tudo isso é dança, mas não é necessariamente arte. Antes precisamos compreender o que é a dança-arte, o que é a dança-entretenimento e o que é a dança-espontânea. Mas isso é assunto pra outro debate!!!